
Apesar da má repercussão das últimas temporadas, a Globo não desiste de “Malhação”. A emissora estreou mais uma leva de episódios com novos personagens e zerou toda a trama. Dessa vez, no entanto, um fator pode ser percebido como primordial: ao invés de apostar em tendências isoladas como o esoterismo ou algo que o valha, resolveu-se priorizar o que o cotidiano adolescente tem de mais comum: a internet e as difíceis relações nos tempos de puberdade. Pode-se, portanto, afirmar que, nesse sentido, a história olha para seu passado, quando preocupava-se em desvendar o que se passa na cabeça da juventude e não somente enfiar goela abaixo fenômenos isolados em enredos rocambolescos. Não por acaso, a primeira cena da estreia acontece ao som da versão original de “Tempos Modernos”, de Lulu Santos, e traz de volta Mocotó (André Marques).
Escrita por Rosane Svartman – que já mostrou talento com o público adolescente no filme“Desenrola” – e Gloria Barreto, a novela parece ter deixado a acomodação de lado. Não que haja uma inovação gigantesca, mas a preocupação em mostrar uma turma de adolescentes rodeada por tipos mais cotidianos e o maior investimentos fenômenos inerentes a esse mundo faz com que a trama atinja em cheio seu público-alvo, deixando a preocupação em ampliar faixas etárias de lado. No capítulo de estreia, citou-se tanto Justin Bieber quanto Foo Fighters. Da mesma maneira, foi mostrado como o bullying é praticado sem vilanizações prévias. Orelha (David Lucas) atormenta Rafael, mas nem por isso deixa de ser carismático. Com isso, os personagens deixam de ser preto e branco para ganhar tons de outras cores, como é de fato a vida. Parece tudo mais leve.
Entre os avanços notórios, estão a fotografia e a cenografia. A Globo parece ter percebido que confinar a história ao estúdio não é o melhor caminho. Imagens externas garantiram respiro à trama e renderam boas sequências. Da mesma maneira, o novo colégio se aproxima mais da realidade e se assemelha menos ao visual de buffet infantil com decoração moderna. É bem verdade, no entanto, que alguns personagens de repetem. Assim como em “Desenrola”, Juliana Paiva dá vida a uma garota “liberada”.
Fonte:Todo Canal
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